um dejá vu dêmode.

•16/04/09 • Deixe um comentário

Ele simplesmente acordou um dia e nada estava no lugar.

Seu espelho não estava no lugar.

Suas roupas não estavam no lugar.

Ele não estava mais no seu lugar.

Ele se sentia flutuando em uma imensa camada de superficialidade, quando tudo o que ele queria era um pouco de aconchego e carinho, um pouco de calor.

Ele sabia o que queria, e sabia como queria, mas não sabia onde encontrar.

Seus sentidos já balançavam, quase parecendo se entregarem.

Sua visão turvava quando as cenas de felicidade passavam por sua cabeça.

Seu coração bombeava mais sangue para seu corpo frio quando ele pensava ter encontrado o que procura.

Seus ouvidos ouviam sinfonias em simples acordes que refletiam seu interior.

Ele simplesmente acordou um dia, levantou, escovou seus dentes, e nada estava no seu lugar.

Ouvindo: Alkaline Trio – Another Innocent Girl.

Publicidade, arte e propaganda.

•20/03/09 • Deixe um comentário

Nova coluna meus amigos!

Nessa eu vou trazer peças publicitárias que me chamaram a atenção de alguma maneira. Vamos começar por uma lindíssima, feita pra pfizer.

O comercial é tão tocante que nem parece que estão tentando nos vender algo. O narrador dialóga com o público como se fosse uma conversa de amigos. Esse é um tipo de comercial no qual eu acredito, um comercial que humaniza a publicidade, afinal, de desumanos bastamos nós.

Falando muito e dizendo pouco.

•20/03/09 • Deixe um comentário

Esse é um dos piores defeitos do mundo. As pessoas falam demais pra não dizer nada. A robotização atingiu até o senso critíco das pessoas, sendo que as pessoas não se escutam mais. Vou explicar minha afirmação:

Hoje em dia, com todo o dinamismo presente no nosso modo de viver, as pessoas, para economizar tempo, tendem a procurar por coisas pré-prontas. Tudo tende a ocupar menos tempo hoje em dia, pois como temos muito mais opções do que antigamente, temos muito menos tempo para provar de tudo. A comida é pré-pronta, a casa é pré-moldada, a escola é à distáncia, os carros semi-automáticos, etc. E com a nossa cultura? Com ela vem acontecendo a mesma coisa. Conceitos e opiniões hoje vêm embalados como item opcional do estilo de vida que você “decidiu” levar(As aspas são porque raramente decidimos algo sobre nós no mundo de hoje). Logo depois de sermos seduzidos para um estilo de vida, recebemos nosso manual de instruções onde nos dizem como se vestir, com quem andar, o que comer, quem namorar, e o pior de tudo, nos diz o que pensar. A maioria das pessoas têm seus pensamentos totalmente influenciados pela mídia e pelo concenso global dos padrões do que é “normal”, e a racionalidade e os sentimentos são postos de lado, dando lugar ao ventriloquismo, onde nós, pessoas, somos fantoches do sistema. Eu não gosto de discursos anti-sistématicos, mas nesse caso é realmente isso o que acontece. Quando alguém fala algo, não está dando sua opinião, mas sim repetindo a mesma coisa que foi concebida pelo seu círculo social. A catarse midiática impera ferozmente sobre a personalidade única que cada um de nós temos, e então acontece aquilo de sempre se ouvir as mesmas coisas aonde quer que você vá. A universidade então, parece um puleiro cheio de papagaios, onde aquele que melhor citar nietzsche, freud ou dostoiévisky sai como o mais “culto”. Meus caros, cultura é ter opinião sobre fatos históricos, e não um vocabulário repleto de citações ditas sábias. Por isso eu digo, quando for falar algo, escute a si mesmo, e não escute freud, afinal, ele nem conheceu a internet. Pense. Começe a dizer mais coisas sem precisar falar tanto.

Me amarrem.

•17/03/09 • Deixe um comentário

E ai galera, como estamos? desculpem o tempo sem postar, mas eu estava viajando.

 

Bom, hoje na aula de comunicação e arte o professor nos mostrou a imagem da exposição onde um artista da américa central amarrou um cachorro de rua em uma galeria. Como esperado, a turma começo a dar suas opiniões robóticas de como aquilo era errado e tudo mais. E o que eu disse logo depois foi isso: Qual de vocês para pra alimentar todos os animais abandonados que encontram? Nenhum não é? Ah, pois é! E a indiferença, de certo modo, não está matando os animais ali também? Está? Ah pois é! Eu acho que o artista, pelo menos, fez isso tentando passar esse alerta de que nossa revolta não é nada se ficarmos de mãos cruzadas, e se ele conseguir mudar o pensamento de algumas pessoas e, assim, salvar a vida de alguns animais, acho totalmente válida a obra dele.

O professor então continuou, nos contando todo o contexto da obra: O cachorro fora nomeado Natividad, devido a um imigrante ilegal que havia morrido em um ataque de cães no seu país. Na ocasião, vários seguranças viram o fato e disseram que nada podiam fazer. Após a exposição, para toda a pergunta que se fazia sobre o contexto da obra o artista somente respondia “Natividad está morto”, podendo estar se referindo ao cachorro ou ao imigrante. A curadora da galeria onde o cachorro foi exposto disse que o cachorro ficou preso apenas 3 horas e depois foi solto. E esse cachorro chamou mais a anteção do mundo do que o imigrante que morreu por causa da indiferença.

E usando as palavras do professor, ainda me lembro que muitas pessoas na época (e ainda hoje) diziam que o artista devia ser morto, ou seja, por um fato especulativo que poderia ter ocorrido a um animal as pessoas são capazes de desejar a morte de um ser humano. Eu acho que um pouco de reflexão é exigida de cada um de nós nesse momento.

Cotonetes, brincos e outras coisas para os ouvidos – II

•12/03/09 • 1 comentário

Eu me programei e consegui me lembrar de fazer hoje o novo cotonetes!

Então, eu trago hoje pra vocês uma coletânea que foi lançada essa terça feira, chamada “Covered: A revolution in sound”, onde bandas da atualidade fazem covers de músicas que consideram clássicas. Na verdade, essa é a edição do aniversário de 50 anos da warner, a gravadora do albúm. Bom, vamos a ele!

Capa do disco

Capa do disco

1. Mastodon: “Just Got Paid” (by ZZ Top): É um rockão com direito a solo com o pé na caixa de som fazendo cara de mau pra platéia. Essa música deve ter sido trilha sonora de briga de bar em algum lugar, e se não foi, vai ser, pois o clima é propenso. Recomendo!

2. The Black Keys: “Her Eyes Are A Blue Million Miles” (by Captain Beefheart): Guitarras que lembram as músicas do led zeppellin com mais groove, e vocais daquelas orquestas de blues que só se acha em filmes sobre a marinha americana. A música tem tanto suíngue que te faz se sentir malandro. É fechar os olhos e fazer um air guitar enquanto curte a música!

3. Michelle Branch: “A Case Of You” (by Joni Mitchell): Lembra um pouco June Carter, mas com a voz menos “penetrante”. Música de cowboys apaixonados (não, não os de brokeback mountain). Pra ouvir de manhã cedo, sentado na grama, escorado em uma árvore, mordendo uma graminha no canto da boca e só pensando naquela donzela que te roubou o coração. Ainda mais com a voz linda da Michelle.

4. Against Me!: “Here Comes A Regular” (by The Replacements): É díficil pensar em uma banda de hoje em dia fazendo tão bem esse tipo de som como o against me fez nessa música. Se a qualidade de gravação fosse um pouco menor, daria pra se dizer que é um cantor dos 50 que gravou. A música fala sobre ser especial. A música é especial.

5. Missy Higgins: “More Than This” (by Roxy Music): Parece muito com Colbie Cailat. Muito mesmo. Também com um clima bem 50′s, mas essa não parece tão particular, talvez por parecer tanto com músicas que se tem hoje em dia. Boa, mas não excepcional.

6. James Otto: “Into The Mystic” (by Van Morrison): Outra country demais, com slides de guitarra no começo que te fazem lembrar dos tempos da roça… mesmo sem ter morado na roça. Envolvente e recomendada pra todos que adimiram as raízes de onde surgiu o rock’n’roll. No meio da música tem um arranjo de sopro digno de música gospel.

7. Adam Sandler: “Like A Hurricane” (by Neil Young): Um dos melhores comediantes do nosso tempo também é um grande músico. E ele consegue mudar o clima da música, que originamente é bem country, fazendo ela parecer mais arrojada e atual, mas sem perder a classe de Neil Young. Esse é nosso little nick.

8. Taking Back Sunday: “You Wreck Me” (by Tom Petty): A banda que faz a versão já é uma banda da qual eu gosto muito. Tom Petty é um cara que eu adimiro muito. A junção não podia ser diferente. Essa parece a hora que o pessoal dentro do Saloon começava a dançar e bater as esporas no chão. Daí da briga, como sempre, mas a dança e o show continuam. Indispensável.

9. The Used: “Burning Down The House” (by Talking Heads): Outra banda que já fazia parte do meu gosto. Eles se diferenciaram bastante também por fazerem uma música cheia de efeitos no meio desse monte de acústicos-quase-morrendo que estão no cd. Bem no estilo the used, até poderia estar em um cd deles que nem se notaria ser de outro artista.

10. Disturbed: “Midlife Crisis” (by Faith No More): Essa música do faith no more é incrível, e me parece que eu já ouvi também a versão do disturbed. Ou as duas ficaram muito parecidas. Ou eu só estranhei porque essa música do disturbed, diferente das outras, não lembra need for speed (o jogo). O vocal em vários momentos lembra o do Faith no more. Assumo que, mesmo não gostando muito de distubed, gostei muito desta música.

11. Avenged Sevenfold: “Paranoid” (by Black Sabbath): A música original dispensa apresentações. O cover não ficou ruim, mas se tiver em mãos a versão original, ouça ela ao invés dessa.

12. The Flaming Lips With Stardeath And White Dwarfs: “Borderline” (by Madonna): Meu comentário pode me deixar em uma situação ruim, mas eu arrisco: Nada pode ser ruim se envolve madonna. E eu dúvido que até o mais masculo dos homens não tenha se pego cantando alguma música dela. O cover ficou muito bom e deu um ar renovado pra música da nossa cinquentona favorita. Cinquenta, já sem trema.

O cd todo vale a pena. Quem quiser, pode encontrar todas as músicas para streaming no endereço abaixo:

http://www.myspace.com/50thcovered

E viva o revival!

A finalidade do acaso.

•11/03/09 • Deixe um comentário

Todo mundo aqui deve achar rotina um saco. Pelo menos eu acho. E, caso não houvesse o acaso, estariamos fodidos. Mesmo imaginando que a fuga da rotina é planejada, ela não é.  Tudo que sai totalmente como o planejado acaba vazio, sempre parecendo ter faltado algo. E faltou, o acaso. O fator surpresa é sempre o que nos faz felizes, porque quando se faz o que se planejou somente todas as reações são previstas, logo, todos os sentimentos também, e eu não entendo como a felicidade pode ser premeditada, do tipo “ah, e na hora que entrarmos na festa dai vamos todos ficar felizes”. Isso não existe. A felicidade surge, em grande parte dos casos, de bons acontecimentos que não eram esperados. Ou você esperava receber aquele bouquet de rosas que até hoje te faz chorar? Ou seu grande amor, você sabia quando e onde ia conhecer? E aquele beijo que sempre te dá calafrios de lembrar, tu previu? eu não sou o Walter Mercado, mas sei que tua resposta é não.

A felicidade se faz do acaso. O sentido da vida é ser feliz. Logo, a vida só tem sentido quando damos espaço para o acaso operar.

O artista e o faxineiro.

•10/03/09 • Deixe um comentário

Lá vai o artista, com toda sua pretensão, nos emocionar com mais uma obra.

Ele passa o sentimento dele na tela, mas o mais incrível, ele passa o nosso sentimento também.

Lá vai o artista, todo pomposo, mostrar que nem sempre o real é consistente.

A cada pincelada ele torna o sentimento mais tangível, mais embriagante.

Lá vai ele, levando junto suas telas, como quem crê que, um dia, elas viverão.

E o pior de tudo é que ele faz com que, dentro de nós, elas ganhem vida.

Mas tem algo de errado aqui?

Essa sujeira que o pintor deixou aqui não faz parte da sua obra, ela não tem emoção.

Ela não nos passa nada além da idéia de que tudo, um dia, tem aquele destino.

A sujeira é o lado mal das coisas, é o que sobra depois que tudo de bom foi aproveitado.

A sujeira, em certos momentos, somos nós.

E então entra em cena o verdadeiro artista.

Mas ele não tem seu nome publicado e nem seus trabalhos aclamados.

Ele não fala de nietzsche e nem sabe quem são os renascentistas.

Tudo que ele têm é a visão da beleza, mas uma visão pura,

sem distorções pseudo-culturais pré-concebidas,

sem frases de efeito,

sem um forte refrão.

Ele só tem a beleza na sua forma bruta.

E com isso, ele faz a arte, deixando a beleza visível pra nós.

Tudo que o pintor fez foi separar o belo do feio, mas deixando ainda os dois a mostra.

O faxineiro sim, purificou o trabalho, deixou sua marca, fez sua arte.

Sua arte somos nós e os sentimentos que nos compõem.

Sua arte é tudo, sua arte é a vida.

E mesmo assim, ele é só o faxineiro.

 
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